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Crônica da Xênia

Talento é uma dádiva de Deus



Depois de ver “Dois Filhos de Francisco”, mudei de opinião sobre Zezé di Camargo. Hoje sei que ele é um grande guerreiro


Gente, não vou mais ao cinema porque me irrita o comportamento do público que, habituado a ver televisão na sala de casa, comporta-se na sala de projeção da mesma forma. Atendem ao celular, falam alto, jogam pipoca uns nos outros... Espero o filme sair em DVD. Portanto, foi com bastante atraso que vi, na Globo, o filme “Dois Filhos de Francisco”.

Um filme honesto. Tinha tudo pra cair na demagogia, mas não caiu. O que me leva a escrever essa crônica é a saga de sofrimento daquela família. Aliás, muitas daquelas misérias, eu passei. A pobreza extrema marca as pessoas como ferro em brasa.

Acompanho a vida de muitos artistas e noto que os grandes talentos têm uma dura caminhada até chegar ao sucesso. Muitos param no meio. Outros chegam ao topo, mas emocionalmente arrasados. Alguns explodem em drogas. Muitos conseguem manter uma razoável sanidade e, a duras penas, vão lutando contra suas neuroses.

Não há dúvida: o talento é uma dádiva de Deus e Ele segue atento seus escolhidos. Dá a eles uma dura estrada, para ver se são capazes de emocionar multidões. Alguns artistas eu reconheço como talentosos, mas não me agrada o talento deles.

Porém, jamais desmereço alguém que está ali, dando o melhor de si, para nos entreter. Voltando ao filme: no final, Zezé di Camargo e Luciano, já vitoriosos, são aplaudidos por uma multidão. E essa “véia” tonta aqui, chorando aos montes, me lembrei da parábola em que Jesus nos ensinava a multiplicar os talentos.

Sempre olhei Zezé di Camargo com reserva. Me parecia um baixinho arrogante, mas hoje o respeito. O baixinho sentiu o chamado de Deus. Lutou como um leão e, com Luciano, conseguiu cumprir o que lhes era exigido: a dádiva de dar alegria ao povo. Mas a marca da pobreza extrema continua no olhar...



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08/07/2008 - 18:11



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06/02/2008 - 14:41



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31/01/2008 - 23:34



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29/01/2008 - 19:10