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Crônica da Xênia

Cuida da sua vida, mulher!

Não adianta dizer que você não está nem aí para fofocas. Na verdade, ninguém quer ver sua vida jogada aos quatro ventos

Gente, em todo bairro, prédio, família, enfim, em todo canto há um fofoqueiro de plantão. Sim, minha cara leitora, até os homens, tão reservados com relação à fofoca, entraram nesse departamento que, antes, segundo os preconceitos, pertencia só à mulher.

Levamos a fofoca na brincadeira, mas ela é um fenômeno sério. A fofoca é um dos mais fortes agentes de repressão social. Para nos defendermos, dizemos que não damos ouvidos a ela. Mentira! Temos pavor de ver nossa vida jogada aos ventos! Andamos “pianinho” quando vemos a fofoqueira pronta para atacar.

Quem nunca deixou de fazer algo que lhe dava prazer pra não cair na boca do povo? Fofoca não é brincadeira de desocupados. É uma ferramenta de controle moral. Veja você o poder – ainda muito forte - dos fofoqueiros profissionais, aqueles que atuam na mídia e infernizam a vida dos artistas.

Porque, desgraçadamente, a sociedade é ávida por saber da vida alheia com medo de olhar a própria. Já dizia Jesus: “tire a trava dos seus olhos antes de tirar a do próximo”. Ou seja (na linguagem popular): vê se te enxerga, cuida da tua vida e deixa o próximo em paz.

Tenho muito medo quando alguém me diz que tem horror a fofoca. Ah, não tenho dúvida: ali mora uma grande fofoqueira. Aliás, ninguém melhor como personificação da fofoca do que dona Guará, vivida por Jandira Martini, em Desejo Proibido.

A fofoqueira é exatamente aquilo que dona Guará representa: astuta, maliciosa, mentirosa e cruel. Esses ingredientes perigosos se somam a uma disposição para sondar a vítima, descobrir pequenos pecadinhos, ampliar e soltar com ares de “eu só estou falando para o bem dela”.

Pronto: ao ser atingida, a vítima fica paralisada. Mais uma vez o agente repressor funcionou. É assim em qualquer lugar do mundo... e sempre vai ser.



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05/03/2008 - 12:57



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20/02/2008 - 20:52



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12/02/2008 - 14:21