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Crônica da Xênia

Até que a morte os separe?

É “bão” também! Quando se
tem filhos, brincar de casamento
é coisa séria

Sempre fui favorável à separação de um casal quando a conciliação torna-se impossível. Se uma presença incomoda, é melhor uma ausência. Quando jovem, fui liberal. Mas a vida nos ensina e, em muitas questões, tive de rever minha postura. Hoje, admito até que sou conservadora, e fico triste diante da leviandade com a qual muitos casais vivem um casamento.

Há pessoas que só aceitam o “lado festa” da vida! Quando surgem problemas que podem ser contornados, ele ou ela desiste de brincar de casinha. A desculpa é não ter agüentado a pressão! Tudo bem se no meio de toda essa imaturidade não existissem filhos.

Afinal, as crianças são as maiores vítimas de uma separação: perdem o eixo e ficam divididas - tantos dias com a mãe, tantos com o pai. Tão novinhas e tendo que ajustar o seu emocional a cada casa. Quando o pai e a mãe casam novamente, outra dolorosa adaptação: quem são esses estranhos que, de repente, se transformam em “tio” e “tia” e tomam o lugar de meu pai e de minha mãe?

Deve ser difícil não saber verbalizar a angústia. Aí, muitas crianças ficam agressivas. Renato (Gabriel Sequeira), de Duas Caras, não percebe que o pai é um canalha. Ele quer é que a mãe reate com o ex. É difícil para o garoto entender a posição da mãe, de rejeitar um homem tão sem caráter. Renato quer um porto seguro, saber onde pisa, quem é quem na sua vida.

Na novela, a reconciliação é impossível e a separação é a solução. Na vida real, por outro lado, muitos casamentos poderiam ser mantidos se o amor tivesse sido, de fato, a base da união.



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28/04/2008 - 12:32



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