Um milk-shake grande, dois pacotes de biscoito de chocolate e 2 litros de coca-cola. Isso era o mínimo que eu comia todos os dias para aliviar meu medo e minha ansiedade por estar grávida. Eu tinha apenas 17 anos de idade e não me conformava com o descuido. Queria estudar, trabalhar e sentia que um bebê tornaria tudo mais difícil. Em nove meses passei do manequim 36 para o 46. De 50 kg fui para 76 kg. Eu não me reconhecia mais no espelho.
Nem o nascimento da Lara fez com que eu emagrecesse. Foi só dois anos depois, em setembro de 2006, que resolvi tomar uma atitude de vez. Folheando uma revista velha, li sobre a auriculoterapia, uma espécie de acupuntura. Em vez de agulhas são usadas bolinhas de ferro presas com esparadrapo nas orelhas para tratar a ansiedade e auxiliar o emagrecimento. Além disso, descobri que existe um programa de tratamento que cabia no meu bolso. Por R$ 15 a sessão, eu iria me consultar com um especialista do Coma e Emagreça, que existe em mais 150 consultórios espalhados pela América Latina e Espanha. Era o que eu precisava.
24H COM AS BOLINHAS DA ORELHA
Na primeira consulta a fisioterapeuta colocou cinco bolinhas em pontos diferentes numa das minhas orelhas. Depois a nutricionista me pesou e passou um cardápio. Foi duro. Eu estava acostumada a comer o que quisesse e a qualquer hora. Dessa vez eu teria de controlar a minha ansiedade por doces. E olha que chegava a passar mal e a ter insônia se não comesse uma guloseima antes de dormir.
Tive que cortar refrigerante, biscoito e substituir o brigadeiro por uma gelatina light. Mas só consegui fazer isso porque a minha ânsia por comida diminuiu. Depois de uma semana sem tirar as bolinhas, eu comecei a me sentir mais calma. Em vez de atacar a comida, ia dar uma volta ou mexer no computador.
EU QUERIA CABER NAS ROUPAS ANTIGAS
Na segunda semana a fisioterapeuta colocou as bolinhas na outra orelha e eu ganhei um novo cardápio. Já tinha emagrecido 2 kg e me sentia bem menos inchada. Meu marido, em vez de apoiar, dizia que enfim eu estava tomando vergonha na cara. Eu ficava chateada com o jeito que ele falava, mas não desanimava. Queria provar que era capaz de voltar a ser magra. Para isso me estimulava olhando as roupas antigas e pequenas que tinha guardado. Eledizia que eu jamais voltaria a caber nas peças, mas eu sabia que era uma questão de tempo voltar a usá-las.