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O papel de madrasta

Ficar na dúvida sobre como proceder no relacionamento com as crianças de seu companheiro é natural. Mas você pode facilitar a convivência se adotar algumas regrinhas no dia-a-dia

Se você, assim como milhares e milhares de mulheres, não sabe agir com os filhos do seu marido em algumas situações ou como melhorar a relação com as crianças, a psicóloga Olga Tessari, de São Paulo, a escritora Fernanda Carlos Borges, autora do livro A Mulher do Pai (Ed. Summus Editorial – R$ 27,90) dão bons conselhos:

:: O papel real da nova mulher
Tentar passar despercebida na vida dos filhos de seu companheiro é inútil. De forma alguma escapará ilesa: você existe, agradará em alguns momentos e será reprovada em outros. No entanto, nesse processo de interação, nada de querer substituir a mãe. Em vez disso, melhor mesmo investir numa relação de amizade e parceria com os pequenos.

:: De que forma o pai pode ajudar
Se a convivência com as crianças não anda lá grande coisa, diga a ele para ajudar na união. Mas de forma carinhosa, explicando aos pequenos que você o faz feliz e merece ser respeitada. Nada de tom impositivo: pode piorar tudo!

:: Como se aproximar da criança arredia
Paciência: eis a base da relação. Em casos nos quais as crianças culpam a atual pela separação dos pais, mais ainda. Ser vista com víbora e ter de se mostrar aos poucos faz parte do jogo. Agüentar cara feia também. A boa convivência depende não só da intimidade, mas do respeito aos limites e da competência para manter uma certa distância quando necessário.

Perguntas e respostas


Como deve ser a relação com a mãe da criança?
Para começar, não interfira na educação seguida pela mãe. Na sua casa, pode impor suas condições e agir da sua forma, mas nunca, de maneira alguma, criticar atos dela diante frente das crianças. A necessidade de uma relação saudável entre vocês duas existe. Afinal, em reuniões, festas do colégio e formaturas, a ex e a atual terão de conviver. Se surgirem dúvidas quando estiver com os pequenos, não se prive de telefonar e perguntar a ela sobre o dia-a-dia das crianças ou mesmo pedir conselhos.

Até que ponto a madrasta pode dar palpites, opiniões e brigar com o pequeno?
Dentro do seu lar, você manda. Pode dar seu recado, determinar as regras do pedaço. Mas evite brigas e discussões. Em vez disso, procure manter o diálogo – é sempre importante! –, assim como pôr limites e estabelecer uma rotina.

Quais os deveres “herdados” pela madrasta?
Cuidados domésticos, alimentação e atenção ao bem-estar do filho de seu companheiro são cuidados bem-vindos na relação entre vocês todos.

E se os filhos reprovarem a atual união?
Essa ameaça existe, porém, precisa ser relevada. Seu comportamento não pode ser condicionado à aprovação deles. Esse medo da não-aceitação pode ser alimentado inclusive pelo pai, sem querer. Explica-se: na tentativa de transformar o período “fim de semana feliz”, ele abre mão de normas de convívio. Converse e deixe claro: ir para sua casa não é o mesmo que passear num parque de diversões.


Autor: Natália Chagas, natalia.chagas@abril.com.br

Data publicação: 15:52:00 20/05/2008